sexta-feira, 14 de março de 2014

Marcou, Marcou, Marcou!



O bom filho à casa torna...
Ênio Lima, jornalista e locutor esportivo da Itatiaia, saiu da Newton Paiva como aluno, e agora retorna como palestrante.

Fernando Oliveira - 3º Período


Dinâmico, divertido, equilibrado, experiente. Sobraram adjetivos para elogiar a descontraída entrevista de Ênio Lima ao Sala de Imprensa, projeto da Central de Produção Jornalística (CPJ) do curso de Jornalismo da Newton Paiva. Nascido em Montes Claros, norte de Minas, o respeitado narrador da Itatiaia veio para Belo Horizonte para se tornar o famoso ‘Garoto que marcou’.

terça-feira, 11 de março de 2014

RECICLE!

Informe Lifecenter


Foi lançada a edição de número 13 (Janeiro a Março) do Informativo Condomínio Lifecenter. Com destaque voltado para a reciclagem, o jornal traz novidades do meio sustentável, dando dicas de boa alimentação e cuidados com o meio ambiente.




O que você encontra:                     



  • A matéria “Descarte Consciente” enfatiza a parceria do Lifecenter com a BHS (Brasil Health Service), empresa que inovou em um projeto de coleta, controle, rastreamento e destinação adequada de remédios vencidos. O programa visa estabelecer eficácia no descarte de medicamentos em desuso, cuja gestão é inédita no mundo.
  • O “Em dia com a saúde” destaca o quadro assustador que o Brasil se encontra nos casos de Diabetes, e os perigos que acercam a doença. O crescimento do número de diabetes infantil igualam-se ao dos EUA.
  • Na sessão “Guloseimas”, a dica de receita é a saborosa torta de quiabo, que por sua vez, é rica em vitaminas e possui várias propriedades medicinais. Entre elas, a atuação contra a asma e ajudar a prevenir o câncer de cólon.
  • A edição também reproduz curiosidades e cuidados que as pessoas devem tomar com os olhos. Doenças como miopia e hipermetropia podem ser evitadas se tratadas com antecedência desde a infância. Um alerta pertinente para as mulheres é que não se deve compartilhar a maquiagem. Especialistas afirmam que os produtos na área ocular podem transmitir conjuntivite e os batons podem passar o contágio de herpes.
  • A dica de um recanto para viajar no feriado da Semana Santa é a opção ideal para quem procura tranquilidade e sossego. O Caraça, localizado a apenas 120km de Belo Horizonte, possui atrações como cachoeiras, caminhadas ao ar livre e piscinas naturais.
  • A guia “Direito do consumidor” explica o que é a ‘desaposentação’, palavra que poucas pessoas conhecem, mas que possui grande importância. O conceito básico para o tema é a troca da antiga aposentadoria do contribuinte por uma nova, com o valor mensal mais vantajoso. Confira!

Foto: Arthur Vieira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

COMPRANDO GATO POR LEBRE

Na mídia, obedecendo à lógica do livre comércio, produtos de consumo são oferecidos à população diariamente
 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Será que a máscara irá cair?

Sellicy Arvelos (1° Período)

Vive-se hoje uma completa falta de liberdade. Palavra esta que é um direito constitucional. Porém, será que atualmente ir resultará em vir?! Regredimos, voltamos à época onde reina o mais forte. No Brasil, se analisarmos qualquer setor, veremos a decadência nacional. Começando pela saúde, onde voltamos a explorar a “mão de obra escrava”. Ou seja, contratos cada vez mais abusivos. Exemplo: programa Mais Médicos. Sem fugir de seu usual costume, o governo está dando um jeitinho de jogar a culpa para a terceirizada e, também, Cuba.
Na política a dança das cadeiras continua. Nada é de fato resolvido. Quando achamos que os “mensaleiros” estavam enfim punidos, e pagariam por seus crimes, surge uma “rifa bem sucedida”, em prol dos corruptos que o país odiava. Em cinco dias, cerca de três mil pessoas arrecadaram milhões para pagar a multa imposta pelo Supremo aos condenados por apropriação de dinheiro público. População roubada ajudando estelionatários. Parece piada, não acha?!
Barbáries acontecendo a céu aberto. Menor infrator preso pelo pescoço a um poste, pela população que não aguenta mais ser roubada. Execução em plena luz do dia, no meio da rua. Mais uma vez, moradores fazem justiça com as próprias mãos. Isso tudo passa a ser rotineiro, comum. Ninguém se horroriza, entra em choque. Já é normal do cotidiano brasileiro. A sociedade o tempo todo clama por justiça e organização. Não recebem nenhuma forma de resposta. Uma maneira de entender tudo isso poderia ser pela educação, que está entre as piores do mundo.
Com tantos acontecimentos, iremos sediar a Copa do Mundo. As promessas feitas para a melhoria do país, que não foram cumpridas até o momento, gera incessantes revoltas de uma sociedade carente. Manifestações, que deveriam ser de cunho pacífico, acabam em mortes. Ônibus incendiados, patrimônios públicos e privados destruídos. Por trás disto tudo, supõe-se que partidos políticos aliciam manifestantes para a baderna. A pergunta do momento é: “onde iremos parar?” Será que na Ucrânia? Sei lá!


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eles estavam o tempo todo por aí...

Quem acompanha as manifestações, certamente conviveu com o Black Bloc. Mas foi necessário a morte do cinegrafista para o repúdio aparecer.

 Fernando Oliveira


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Jornal Lince - Edição 57

Está no ar a edição 57 do Jornal Lince! Na capa do mês de dezembro, a sexta e última de 2013, falamos sobre o “Kitsch” e a dificuldade dos deficientes que dependem de recursos na capital mineira. Tem política, cultura, educação, esporte e muito mais.


Navegue pelas 24 páginas do jornal-laboratório da Central de Produção Jornalística da Newton e deixe sua opinião sempre que puder.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Escola de Comunicação adquire 15 novos equipamentos de filmagem de alta tecnologia

Em conformidade com as grandes redes televisivas, a Escola de Comunicação do Centro Universitário Newton adquiriu 15 equipamentos de última geração para produções em televisão. São duas câmeras de filmagem em alta definição, duas baterias reservas, dois iluminadores de LED e mais nove cartões de memória de oito gigabytes cada. A ideia é aproximar os estudantes das tecnologias utilizadas pelo mercado.

Foto: Matheus Rocha

Segundo a coordenadora da Escola de Comunicação, Juliana Dias, os aparelhos existentes na instituição foram superados tecnologicamente e, por isso, fez-se necessário substituí-los, a fim de aproximar os estudantes do que há de mais moderno nessa área: “Estamos buscando dar aos alunos a condição de trabalhar utilizando equipamentos de ponta, porque é isso o que eles vão encontrar lá fora”, ressaltou.  

Para o cinegrafista Robson Alcântara, a evolução nas produções será enorme a partir do uso dessas novas tecnologias. “Estamos saltando de um sistema Beta para o HD, pois todas as televisões estão trabalhando com isso agora”, explica. “É uma mudança radical de tecnologia. Isso facilitará o trabalho de todos”, afirma Emerson Rivelino, também cinegrafista.

Thaís Venturatto é estudante do 6º período de Jornalismo. Para ela, que é apresentadora do programa “Descolado”, as novas tecnologias são fundamentais porque irão agilizar o trabalho: “É um material de última geração. Ele será importante para produzir melhor e mais rápido, com reflexos positivos no resultado do trabalho”.

João Paulo Ferreira de Freitas é estudante do 4º período. De acordo com ele, no próximo semestre haverá a disciplina de TV. Em relação a isso, a expectativa é grande: “Esses equipamentos vão melhorar a qualidade do ensino, porque estimula o aluno a querer aprender mais”, observou Freitas.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um sonho bem próximo

Algumas decisões políticas podem interferir no futuro de uma das profissões mais antigas do mundo, o jornalismo


Por João Paulo Freitas (4º período).

Jornalistas de todo o país lutam durante anos por uma causa em comum: a necessidade de se ter um diploma para exercer tal profissão. Na terça-feira, 12 de novembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 206/12, que cita necessária a obrigatoriedade do diploma em jornalismo para, assim, poder trabalhar. A PEC foi aprovada pelo Senado no ano passado, mas somente agora deverá ser analisada por uma comissão especial.

O Deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), relator da PEC na CCJ, defendeu a admissibilidade do texto. Segundo ele, “a exigência do diploma não vislumbra ofensa às liberdades de pensamento, de expressão ou de comunicação, previstas na Constituição”.

Por hora, os deputados irão avaliar se é aceitável ou não, o que é dito no texto. Por isso, eles precisam dar legitimidade e, também, se julgarem necessário, pode haver mudanças de acordo com as normas legislativas. Porém, tal comissão ainda não possui um prazo correto para ser criada. Deverá ser instalada ainda esta semana. Assim espera a FENAJ e Sindicato dos Jornalistas que, com lideranças parlamentares, articulam a agilidade na aprovação da matéria.

Também está em tramitação na Câmara a PEC 386/09, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que restabelece a necessidade de curso superior específico para jornalistas. A proposta, aprovada em julho de 2010, aguarda a inclusão na pauta do plenário.

SAIBA MAIS


Para interar-se mais sobre o assunto, em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a necessidade de diploma para jornalistas. Na época, a mais alta corte do país decidiu, por oito votos a um, acabar com a exigência do diploma de curso superior específico para a prática do jornalismo. Segundo os ministros da época, o Decreto de lei 972/69, criado durante a ditadura militar que regulamentava a profissão, injuriava a Constituição Federal.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Iniciando com estilo

Formada na Newton, Marília Corradi lança seu próprio projeto, a Revista Papo de Salão

Por João Vitor Cirilo.

Em um meio tão fechado como o jornalismo, principalmente em setores específicos como a moda, a iniciativa em um trabalho próprio se torna uma excelente alternativa para driblar as portas fechadas do mercado. Pensando nisso, Marília Corradi, formada há quase dois anos na Newton, lançou recentemente seu novo projeto, a revista "Papo de Salão". A jornalista retornou nesta semana à velha casa para uma visita à Central de Produção Jornalística e falou sobre a sua publicação.

Foto: Matheus Rocha/CPJ

DÚVIDA E INSPIRAÇÃO

Após a formação, Marília se viu em uma situação comum a muitos estudantes: dúvida no que fazer. "Passei um tempo pensando o que faria da minha vida, achando que não queria mais jornalismo. Já me formei meio incrédula", conta. A inspiração, logicamente, veio em um salão de beleza. "Tinha um cabelo enorme. Fui no salão um dia e passei a tesoura", começa. "Nesse dia, tive uma reflexão. O Salão é um espaço onde as pessoas desenvolvem diálogos, o próprio cabeleireiro vira um psicólogo da mulher... há uns clichês, mas que têm um pouco de verdade".

A ideia foi fazer uma revista com os assuntos que ela mais ouve em um salão e outros que as mulheres gostam de conversar, fugindo do estigma de que mulher só fala de futilidade. "Nós mulheres conversamos sobre muitos assuntos, mas eles não são fúteis, necessariamente. Uma revista feminina não precisa trazer apenas futilidades, falar só de beleza, só do que se está usando atualmente", argumenta.

MERCADO A SER EXPLORADO

"Não sei se minha função é tirar esse estigma, porque não sei se sou capaz disso. Mas a intenção é fazer um trabalho voltado para esse sentido, além de o mercado da moda ser interessante. Há uma pesquisa que diz que as mulheres aqui no Brasil deixam de comprar produtos básicos, de alimentação, para comprar um item de higiene, por exemplo", conclui.

Para iniciar o projeto, Marília contou com a ajuda do seu primo, que é designer e também seu sócio. A linha editorial é toda definida por Marília. "Priorizo aquilo que for interessante. Se eu achar que o produto é bom, ele entra. Também tento dar um espaço social para a revista", citando a matéria sobre o recebimento gratuito de perucas por mulheres que têm câncer, que foi ao ar na primeira edição da revista.

Capa da revista publicada neste fim de ano.
(Foto: Divulgação/Facebook da Revista Papo de Salão)

Além dos colaboradores, Marília também conta com o apoio das redes sociais para divulgar seu trabalho. O facebook (www.facebook.com/revistapapodesalao) apresenta "postagens engraçadas, datas comemorativas e também conteúdos do portal" (www.revistapapodesalao.com.br). O twitter e o instagram podem ser acessados pelo endereço @paposalao.

Se você tem interesse em colaborar com a Revista Papo de Salão, mande um email para jornalismo @revistapapodesalao.com.br. "Pode mandar o que quiser, que a gente conversa", segundo Marília.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

TALENTO MADE IN MINAS

João Paulo Freitas (4º Período) para a edição 56 do Jornal Lince (outubro de 2013).

Nascido na pequena cidade de Bicas, interior de Minas Gerais, Marcelo Guilhermino Barreto, 45 anos — mais conhecido como Marcelo Barreto —, conheceu uma de suas maiores paixões, o jornalismo. Com uma vasta experiência e um currículo invejável, Barreto figura entre os maiores jornalistas esportivos do país. Passou os dois últimos anos como correspondente internacional em Londres, pelo canal por assinatura SPORTV. Atualmente ocupa a bancada do programa Sportv News, no qual foi editor chefe. Confira abaixo o bate papo que tivemos com esse grande profissional da comunicação.



Lince - Conte-nos um pouco sobre sua trajetória no jornalismo.

Barreto - Meu primeiro emprego foi na assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de João Monlevade, logo depois que completei os créditos no curso de comunicação da PUC-Minas, no início de 1990. Pouco depois, tive minha primeira experiência em jornal, na sucursal do Hoje em Dia em Governador Valadares. No ano seguinte, fiz prova de estágio para O Globo e me mudei de vez para o Rio. Trabalhei por sete anos na editoria de esportes do jornal, pela qual cobri dois Mundiais de Basquete e as Olimpíadas de Atlanta em 96. Em 98, participei da equipe que fundou o LANCE!. Trabalhei no jornal, no site LANCENET!, comandando a transformação em portal e a incorporação da Agência Sportpress, e coordenei o lançamento da revista LANCE!A+. Durante esse período, fiz um fellowship de jornalismo na Universidade de Michigan e na volta cursei o MBA Executivo do Coppead-RJ. Depois, minha carreira transcorreu dentro das Organizações Globo. Fui editor-chefe do Portal do Esporte, trabalhei na editoria de esportes da TV Globo como produtor e repórter e, em 2003, fui para o SporTV. Aqui, implantei o Núcleo de Produção (do qual fui chefe) e fui apresentador e comentarista de vários programas: Redação SporTV, Tá na Área, Troca de Passes, SporTV Repórter, Arena Olímpica, Momento Olímpico. Nos últimos dois anos, fui correspondente do canal em Londres. Voltei ao Brasil no meio deste ano e hoje apresento o SporTV News, jornal do qual fui editor-chefe antes dessa experiência no exterior. Pelo SporTV, cobri duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, uma Paralimpíada e três Copas das Confederações, entre outras competições internacionais.


Lince - Atualmente, quais as maiores dificuldades que os jovens jornalistas irão enfrentar para ingressar na área de comunicador esportivo?

Barreto - Pelo que ouço quando converso com estudantes de comunicação, um dos principais problemas será a concorrência. Estou impressionado com o número de jovens que ingressam nas faculdades de comunicação pensando especificamente em trabalhar com o jornalismo esportivo. E não tenho certeza se nosso mercado continuará em crescimento nos próximos anos. Existe todo um movimento de mudança de hábitos de consumo que tem afetado áreas importantes do mercado, principalmente os jornais. É claro que eventos ao vivo ainda têm um valor diferente, o que pode preservar TVs e rádios enquanto não tiverem de disputar os direitos com a internet. É possível que os jovens que hoje estudam para serem jornalistas esportivos cheguem ao mercado num momento de grande mudança. Mas eles são também, como consumidores de mídia, agentes dessa mudança, e têm tudo para se adaptar rapidamente.


Lince - Como foi sua experiência como correspondente internacional Sportv, em Londres, e quais os pontos positivos que trouxe para a comunicação no Brasil?

Barreto - Para mim, foram dois anos inesquecíveis, de grande crescimento profissional e pessoal. Mudar de país é uma decisão bastante complicada, que mexe com a logística de toda a família. Tenho dois filhos, que tiveram de se adaptar a um ambiente educacional totalmente diferente, e minha mulher, que também é jornalista, precisou adaptar sua carreira à nova realidade. Voltamos todos felizes e com grandes experiências na bagagem — e agora estamos passando pelo processo de readaptação. No meu caso, foi uma importante reciclagem profissional. Saí do estúdio e voltei para a rua. Cobri competições importantes, entrevistei grandes atletas, viajei por toda a Europa e tive de me virar em outros idiomas. Observei muita coisa na forma de se cobrir esporte lá fora e acho que trouxe alguns bons exemplos para usar no Brasil.


Lince - Como você avalia o futuro do futebol brasileiro, tendo em vista o crescimento econômico das equipes e, também, os eventos internacionais prestes a serem realizados em nosso país, em termos de visibilidade? 

OBS: Pode me chamar de você nas perguntas.

Barreto - Tenho dúvidas sobre quanto tempo vai durar o crescimento econômico das equipes. O que aconteceu nos últimos anos foi um reflexo do crescimento da economia brasileira como um todo, e esse processo já está sofrendo uma desaceleração. Os grandes times do futebol europeu não foram tão abalados pela crise econômica no continente — que também já começa a mudar de curso — e voltaram a fazer grandes contratações. Basta ver o desastre que foi para o futebol brasileiro a última janela de transferências. O uso das arenas da Copa pelos clubes pode ter um impacto positivo na arrecadação, mas é preciso muito mais para competir com o dinheiro que vem de fora. Alguns avanços estão sendo feitos na administração de dívidas, mas ainda é preciso melhorar o calendário, resolver o problema das divisões de base, investir em estrutura. 


Lince - Durante os protestos feitos no Brasil, você ainda residia na capital inglesa. Como os europeus reagiram a todos esses acontecimentos? Você acha que isso afetará na vinda de turistas estrangeiros, principalmente para a Copa do Mundo 2014?

Barreto - Na época dos protestos, eu morava em Londres, mas estava em Madri cobrindo a Copa das Confederações. A reação aos protestos, lá, foi de perplexidade. Os espanhóis, que vivem num país em crise, com mais de um quarto da população sem emprego formal, viam no Brasil um país em crescimento econômico, e não imaginavam que os brasileiros tinham motivos para reclamar. Mas como os próprios espanhóis se acostumaram a ver os protestos na Plaza del Sol, em Madri, a repetição das imagens acabou gerando uma simpatia, uma sensação de identificação. A imprensa esportiva espanhola, que errou a mão em alguns comentários sobre a Copa das Confederações, foi bastante equilibrada quando tratou da questão dos protestos.


Lince - O futebol sempre foi o carro chefe dos esportes no Brasil. O que você acredita que deve ser feito para que modalidades como vôlei, basquete, entre outros especializados, atinjam um nível de excelência tão forte quanto o dos gramados?

Barreto - Não vejo chances de isso acontecer num futuro próximo, nem acho que deva ser esse o foco de outros esportes. O futebol é dominante em muitos países do mundo, não apenas no Brasil. Exerce esse domínio há muitos anos e deve mantê-lo por muitos outros. O que os demais esportes precisam fazer é encontrar seu espaço. Construir uma base sólida de torcedores, investir no desenvolvimento de talentos, manter-se competitivo em nível internacional. Foi a receita que o vôlei aprendeu há algum tempo, e que o basquete parece ter esquecido.


Lince - Quem foi seu maior mestre na área profissional, e quais as lições mais valiosas que ele te deixou?

Barreto - Seria injusto escolher um entre os muitos jornalistas que me inspiraram e me ajudaram ao longo da minha carreira. Mas ainda pior seria fazer uma lista e deixar alguém importante de fora. Então, para não deixar a pergunta sem resposta, cito aqui a maravilhosa convivência que tive com Armando Nogueira no Redação SporTV. Ele já não era mais um alto executivo da TV Globo, estava chegando aos 80 anos exercendo sua maior paixão, falar de futebol. Mas trazia com ele, claro, a experiência de quem tinha começado a cobrir Copas do Mundo em 1954. Era uma figura muito doce, um homem muito inteligente, um jornalista brilhante. Faz muita falta a todos nós que convivemos com ele naquela época.


Lince - Avalie e faça um comparativo entre a imprensa europeia e a brasileira.

Barreto - É muito difícil falar em imprensa europeia. A inglesa é muito diferente da francesa, da italiana, da espanhola. Para ficar apenas no jornalismo esportivo, os ingleses gostam mais de texto, nos jornais, e de debates, nos programas de TV. Os franceses dão menos espaço ao futebol, dividem mais a atenção com outros esportes. Espanhóis e italianos têm um jeitão mais parecido com o brasileiro, mais apaixonado. Os jornais espanhóis se portaram mal durante a Copa das Confederações, fazendo comentários tendenciosos para defender sua seleção de acusações de mau comportamento fora de campo. No geral, o que dá para dizer é que em termos de qualidade, de tecnologia, a imprensa brasileira não deixa muito a dever a essas que citei. São características diferentes, mas estamos num nível semelhante.


Lince - Para finalizar, deixe um recado para os estudantes de comunicação do Centro Universitário Newton (Belo Horizonte), que pretendem seguir seus passos na carreira.


Barreto - O que gosto de dizer a quem escolhe o jornalismo esportivo é que nossa área não está isolada do resto do mundo. Para falar de esporte, acabamos falando também de economia, de saúde, de direito, de política. Enfim, ser uma Wikipédia ambulante sobre esporte pode ajudar, mas com cultura geral se vai muito mais longe. Boa sorte a todos, nos encontramos nas coberturas!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Mulher macho, sim senhor!

Antes dominado pelos homens, ringues, tatames e octógonos abrem cada vez mais espaço para o sexo feminino

Camila Chagas e Pâmela Matos (4º período)

Se você acha que lugar de mulher é na cozinha, é porque ainda não viu o desempenho delas no tatame ou no octógono. O lugar onde a testosterona predominava agora pode ser preenchido por uma explosão de ovários. Para as meninas que cresceram admirando a coragem de Maggie Fitzgerald (protagonista do filme “Menina de Ouro”), em sua busca pelo seu lugar ao sol no mundo da luta, chegar em 2013 e participar da principal organização de MMA do mundo, o Ultimate Fighting Championship (UFC), pode ser considerado dever cumprido.

No segundo evento com luta feminina, realizado em agosto, em Las Vegas, o combate de mulheres, entre Ronda Rousey e Miesha Tate, foi considerado o melhor da noite pelo público e pela crítica. A transmissão gerou US$ 18 milhões só com a venda de pacotes “pay-per-view”. Infelizmente, por enquanto, o UFC contará apenas com uma categoria, a de galos (até 61kg), o que dificulta a entrada de mais lutadoras na competição. Mas, para quem há pouco tempo não imaginava tops e calções cor de rosas relacionados a socos e cinturões, já é um grande começo.


GRANDE VITÓRIA

O interesse das mulheres pelas lutas vem crescendo ao longo dos anos, e mais ainda o desejo de tornar o esporte uma profissão. Mas só em março deste ano elas puderam ter a esperança de “bater” de igual aos colegas de profissão, quando Dana White, presidente do UFC, decidiu ceder e aceitar o universo feminino nos octógonos. Depois de acompanhar uma luta feminina entre Rousey e Tate, ele se impressionou com a força, e beleza, delas. “Aquela foi uma luta como se fosse entre homens; duas mulheres inacreditavelmente talentosas que estão muito bem cercadas, e não faz mal a ninguém quando elas são bonitas também”, disse White em vídeo gravado pela "Showtime", rede de canais de TV por assinatura.

E, claro, o Brasil tem uma representante. Jéssica ‘Bate-estaca’ Andrade foi a primeira mulher a representar o país no octógono. A paranaense encarou Liz Carmouche na primeira luta do card principal do evento. Infelizmente, para nós, a americana levou a melhor com um nocaute técnico no segundo round do UFC on Fox, em Seattle (EUA), mas a inserção de brasileiras na competição já pode ser considerada uma grande vitória.


NÃO PROFISSIONAL

Mas o sucesso das lutas entre as mulheres não é todo voltado ao esporte profissional. Muitas desenvolveram o interesse pelas lutas como uma forma de aliviar a tensão e o estresse do cotidiano, melhorar o condicionamento físico e até como um exercício para perder calorias (variam de 800 até 1.200 por hora no MMA). “Fora que aprender uns golpes e técnicas de defesa pessoal nunca fez mal a ninguém”, afirma a estudante Ana Souza, que aos 21 anos pratica o MMA amador há alguns meses e garante que sua saúde física e psicológica só lucrou com os exercícios.

Mas não é só o MMA que conquista o público feminino. Jiu jitsu, taekwondo e muay thai também são bem populares entre as mulheres. A recepcionista Thais Vieira pratica jiu jitsu há sete anos e afirma que o esporte trouxe muitas melhorias para sua vida. “Eu luto desde criança, e acho que é um esporte que me motiva e me completa. Quero continuar praticando para o meu bem-estar”, conta a jovem, que apesar do treinamento intenso – três vezes na semana por uma hora mais ou menos –, não vê o esporte como uma profissão e nunca se interessou em participar de competições.  

Já Namucheta Ricardo pratica o taekwondo há oito anos e participa de competições há quase cinco. Mas enfrenta um problema muito comum à maioria das esportistas: patrocínio, ou melhor, a falta dele. “Competir para mim é algo extremamente gratificante. Um sonho é poder viver apenas para treinar e competir, porém, a falta de patrocínio não permite. Por muitas vezes já pensei em desistir das competições, pois não é fácil viajar por Minas Gerais e pelo Brasil sem patrocinadores, o que acaba sendo um motivo de desistência para muitos”, reclama Namucheta, que também não acredita que a questão do sexo influencie essa falta de investimento.  “Não vejo o fato de ser mulher como um agravante na questão dos patrocínios, infelizmente esta é uma realidade que ambos os sexos compartilham”. Porém, essa realidade existe! O patrocínio para mulheres é muito mais difícil e, quando conseguem, são bem abaixo do que é dado para os homens.


MAIS TÉCNICAS

O que mais diferencia as lutas masculinas às femininas é que a das mulheres é caracterizada pelo domínio da técnica. Já os homens usam e abusam da força quando estão de frente aos seus oponentes. "Os homens veem a luta como uma forma de demonstrar sua masculinidade, seu poder como o lado forte e protetor da equação. As mulheres são mais perfeccionistas e calculam seus movimentos, a partir de técnicas e critérios que elas desenvolvem nos treinos”, acrescenta o personal Sandro Moreira. “Até porque socos e rostos sangrando ainda assustam um pouco as mulheres”, diverte-se.


Segundo Sandro, qualquer mulher pode começar a praticar luta, mas o treinamento inicial requer alguns cuidados específicos. “É recomendado fazer musculação, junto com a prática da luta para evitar lesões graves e melhorar no condicionamento físico”, orienta Sandro. E conclui que o que atrai as mulheres é manter a academia cheirosa, limpa e organizada. “Além de tratá-las igual os homens. Isso é primordial”, enfatiza.

Fotos: Lander Moreira (1ª e 3ª) e Josivaldo Alexandre (2ª)

Portas abertas

CPJ recebe alunos da Escola Estadual Feliciano Mendes, de Congonhas

Por Felipe Freitas e Caíque Rocha.

Na última terça-feira (19), o prédio NP4 do Centro Universitário Newton Paiva recebeu os alunos do ensino médio da Escola Estadual Feliciano Mendes, da cidade de Congonhas (MG). Fazendo uma espécie de excursão por Belo Horizonte, visitando importantes centros universitários e redes de televisão, os responsáveis pela escola vieram com o objetivo de mostrar aos jovens estudantes como funcionam os meios de comunicação mais conhecidos e colocá-los em contato com o dia a dia da profissão.

Passando pelos estúdios de TV, rádio e jornal impresso (CPJ), além da agência de publicidade (Massan-Z) e demais laboratórios de comunicação da Newton, os quase 30 jovens de 13 a 18 anos tiveram a oportunidade de ver de perto o trabalho realizado pelos estagiários e coordenadores.

Jean Amorim, um dos professores presentes na visita, destacou que “a visita proporcionou que os estudantes fizessem a associação entre a parte teórica (aprendizado em sala de aula), com a parte prática (conhecimento com vários laboratórios e conversas com os alunos do curso de graduação Publicidade e Propaganda e Jornalismo). Esse tipo de ação diminui a distância para o conhecimento e auxilia os alunos na escolha da profissão”.

Foi a quarta escola que o curso de Comunicação da Newton recebeu neste semestre, a primeira de fora de Belo Horizonte. Antes, estiveram conosco o Educandário e Creche Menino Jesus, a Escola Estadual Santos Anjos e o Colégio Pampulha, todos da capital mineira.

Confira algumas fotos da visita (para ver o álbum completo, acesse o facebook da CPJ):











segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Uma ideia na cabeça, uma câmera na mão e...

Nasce um cineasta em ponto de bala! O sonho de seguir carreira no cinema, os projetos e as dificuldades de um jornalista mineiro das veredas do grande sertão

Raphael Gouvêa (2º Período) para a edição 56 do Jornal Lince (outubro de 2013).

Mineiro de fala mansa e gestos mais calmos ainda, foi em 2007 que, aos 18 anos, Marco Antônio Pereira deixou Cordisburgo e veio para Belo Horizonte, onde trabalha hoje como diretor de videoclipes e publicidade. Chegando a Belo Horizonte, foi logo a um dos cinemas mais tradicionais da cidade e assistiu um projeto que se exibia aos sábados, e que se chamava “Imagem Pensamento”.

— Lembro como se fosse hoje: a sala escura, as pessoas, o clima frio por causa do ar condicionado e o vídeo... Aquilo tudo confundia muito minha cabeça. Mas, dos pensamentos confusos que eu tinha, eu só conseguia destacar um: “Eu preciso fazer um filme! Eu nasci pra fazer isso!”.



“Nóis Tudo”

Marco Antônio não perdeu tempo. Logo após o seu primeiro fim de semana em Belo Horizonte, já iniciava as aulas no curso de Jornalismo na Newton. Afinal, era profissão que ele sonhava seguir desde criança, ainda cursando o ensino médio. No decorrer do curso, Marco Antônio teve uma visão ainda mais complexa do Jornalismo, que lhe serviria muito mais do que ele imaginava a princípio.

Em busca de realizar o sonho de ir para o cinema, correu cada vez mais atrás de seus objetivos. Encontrou em Léo Santos um mestre que o ensinou muito sobre o assunto e o ajudou com o empréstimo de equipamentos que ele precisaria para desenvolver seu projeto. Com essa ajuda, Marco procurou um curso específico dentro da área e se formou na Escola Livre de Cinema, no final de 2008. Depois de formado, dirigiu seu primeiro filme, que na verdade era uma espécie de documentário chamado “A arte é de nóis tudo”. Esse documentário chegou a ser exibido em Brasília e na Alemanha.



“Nós e o Horizonte”

Mesmo durante o curso de jornalismo, que levou de maneira muito peculiar, Marco Antônio sempre teve a cabeça voltada para o cinema. Não era, certamente, um aluno exemplar, mas era “diferenciado”, como bem definia uma de suas professoras, Juniele Rabêlo. José Maria Souza Neto, o Zé Neto, outro aluno de jornalismo que também incursionava pelo cinema, era um apoio constante.

Após concluir o curso de jornalismo, Marco Antônio dirigiu um longa metragem chamado “Sobre Nós e o Horizonte”, um filme em que fala sobre a importância das pequenas coisas. Sem financiamento, contando apenas com a ajuda dos amigos e com muita criatividade para reverter a falta de grana, ele conseguiu transformar “Sobre Nós e o Horizonte” em uma experiência única. Por isso, a exibição do filme se transformou em um momento mágico.

— Um fato marcante nessa minha relação com cinema foi exibir o “Sobre Nós e o Horizonte” na sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes. Foi uma sessão muito marcante. A sala estava lotada, as pessoas se emocionando...

“Eu fiquei refletindo que foi um milagre ter conseguido terminar o filme e lançar o longa, no mesmo cinema em, que há cinco anos, eu estava deslumbrado em ver a telona pela primeira vez”, conta Marco Antônio, sempre destacando que essa foi, de fato, “uma experiência fascinante”.

— Acho que ninguém ali na sala conseguiria entender o que se passava no meu interior.

Atualmente, aos 26 anos, Marco está terminando as gravações de uma websérie, que conta com a participação de vários atores consagrados no cenário belo-horizontino. Entre eles, Guilherme Colina, Fernando Veríssimo e Márcia Moreira.


E o jornalismo? Atualmente, ele trabalha como jornalista na comunicação interna em uma multinacional brasileira, e diz que até pretende continuar na área, mas que ninguém se engane: o jornalismo será apenas uma ferramenta a mais para desenvolver seus novos trabalhos no cinema.

Fotos: Arquivo Pessoal

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A gente não quer só comida...

A gente quer comida, diversão e arte, mas na região Noroeste fica difícil, pois quase não há investimentos e quem mais sofre com isso são os jovens

Rayza Kamke e Rodolpho Victor (4º e 2º períodos) para a edição 56 do Jornal Lince (outubro de 2013).

Entre as diversas regiões que compõem o município de Belo Horizonte, a Noroeste, que engloba os bairros do Caiçara, Pedro II, Aparecida, Adelaide, Ermelinda, Nova Esperança e Santo André, entre outros, é a mais populosa e representa 11,2% dos jovens na faixa etária de 15 a 29 anos, entre os 632 mil que fazem parte da população da cidade, hoje de aproximadamente 2.375.444 habitantes. Apesar da densidade populacional, trata-se de uma região de grandes desigualdades, em que os jovens das comunidades carentes se veem ainda mais prejudicados pelos poucos recursos que possuem para se incluírem nas pequenas opções.

A região tem um número muito grande escolas e um parque (Parque do Caiçara), mas quase nada em função do lazer e do esporte. Uma das poucas opções para os jovens ainda é o Shopping Del Rey, onde nada é de graça. Na área cultural, quase nenhum investimento. A região Noroeste é um espelho do que, a exceção da região Centro Sul, acontece em todas as demais. A psicóloga Sylvia Flores explica que o lazer bem executado, planejado e saudável é imprescindível para o equilíbrio emocional. De acordo com ela, se não houver momentos de lazer ou prazer, o ser humano acaba entrando em um processo de stress profundo, que pode gerar doenças psicossomáticas, ou simplesmente psíquicas, como agressividade exagerada ou impulsividade. “É necessário ter prazer para podermos ter um equilíbrio entre a vida cotidiana, do trabalho, dos estudos, e um bem-estar psicológico”, afirma.

Já o sociólogo Carlos Magalhães comenta que, mais do que uma forma de lazer, as atividades que envolvam arte e cultura são itens indispensáveis para a construção da identidade dos jovens, ainda mais em uma sociedade desigual, injusta e preconceituosa. Carlos salienta que os jovens necessitam de acessos mais fáceis a todos os tipos de expressão cultural e artística, até mesmo para a criação de suas personalidades. “O acesso a esses meios deveria ser facilitado de modo que os jovens pobres pudessem encontrar seu lugar no mundo de hoje, além das fronteiras simbólicas e materiais que estão colocadas”, explica.

Propostas oficiais

Belo Horizonte foi a primeira cidade brasileira a criar um Conselho Municipal da Juventude, decretado por lei em 1998 (lei 7551/98). O Conselho determina a finalidade de estudar, elaborar, discutir, aprovar e propor políticas públicas que permitam e garantam a integração e a participação do jovem na sociedade. Já a Coordenadoria Municipal da Juventude, por sua vez, visa promover a interlocução, o acompanhamento e a proposição de ações e políticas voltadas aos jovens belo-horizontinos. Após um período de inatividade, desde 2005, ambos voltaram a trabalhar neste ano, e juntos desenvolvem várias ações específicas voltadas ao público jovem.

O gerente da Coordenadoria da Juventude, Gelson Antônio Leite, informou ao Lince as propostas e projetos que a Prefeitura de Belo Horizonte oferece aos jovens da capital. Entre as novidades, se destaca o “Centro de Referência da Juventude”, que será um equipamento destinado aos jovens e terá sua inauguração prevista em maio de 2014. O Centro, que pretende atender de 500 a 800 jovens por dia, ainda constrói a proposta de projetos, mas proporcionará aos belo-horizontinos cursos profissionalizantes e ofertas de emprego, teatro de arena, estúdio de gravação musical, e até uma biblioteca digital e interativa.

Para as regiões carentes são idealizados os chamados “Fóruns Juvenis”, onde serão escolhidos locais de maior vulnerabilidade juvenil. A ação será realizada aos sábados, e levará aos jovens carentes as informações sobre o que a Prefeitura propõe. Um novo projeto também será inaugurado neste semestre, no Barreiro. O espaço revitalizado e reformado da antiga FEBEM se torna hoje o “Point Barreiro”, onde será realizada a “Estação Juventude”, local de atendimento e execução de oficinas, atendimentos aos jovens, e cadastramento aos programas da prefeitura. “Pretendemos expandir o “Estação Juventude” para todas as regionais”, completou Gelson. A respeito da falta de interatividade dos jovens nos programas ligados a Prefeitura, Gelson acredita que o acesso à informação e o descredito político podem interferir no interesse dos menores cidadãos.



Grêmio Mineiro

O clube de futebol Grêmio Mineiro, no Santo André, é presidido pelo ex-policial civil Wallace da Silva Araújo, e o aposentado Renato Adelino de Almeida. O clube, fundando em 1947, sobrevive graças ao esforço da comunidade. Da doação de bolas e equipamentos a uma máquina de lavar roupas e sofás para a sede, todo o projeto é movido pelo empenho dos presidentes e pela força da sociedade. Apenas para a manutenção de água e luz é cobrada uma taxa de R$ 60/hora para o aluguel do campo da agremiação.

Entre as atividades realizadas pelo clube, a escolinha de futebol é a principal, mas Wallace destaca que, na maioria das vezes, falta interesse das crianças. Reeleito para a presidência, desde 2010, ele e o amigo Renato afirmam que, muitas vezes, fazem papel de assistente social para os jovens mais agressivos ou necessitados. O motivo principal da escolinha é controlar os problemas que atingem os jovens da comunidade — a violência e o envolvimento com drogas.“O problema de falta de lazer é relativo, falta interesse”, afirma Wallace.

O presidente, às vezes, abre mão do aluguel da quadra, promove lanches comunitários e, ainda assim, não atrai a atenção dos jovens do Santo André. Em relação aos pais, Wallace observa que é pouca a presença de estímulo vindo dos mesmos, já que em reuniões propostas pelos presidentes do clube, apenas alguns se apresentam e têm consciência da vida ativa de seus filhos. “É preocupante, mas fazemos tudo o que podemos fazer”, lamenta.



Atleta Cidadão

O projeto renomeado “Atleta Cidadão” funciona desde 2005 e é administrado por José Santana, diretor de esportes e formação de atletas do clube Vila Nova, e atende jovens entre 11 e 16 anos de idade. Os treinos são de segunda a quinta, sendo terça e quinta para os mais novos, e segunda e quarta para os maiores. Mesmo sendo novo, o clube já participou de torneios como a “Taça BH”, “Copa Criança Esperança”, entre outras competições.

Os treinos, que são realizados em um campo colado ao Cemitério da Paz, são ainda esperança aos jovens que o frequentam, já que levaram Rafael Vítor, de 20 anos, para a categoria de base do Atlético-MG — hoje, ele é um dos destaques do Tupi-MG. Para participar do projeto basta contribuir com R$ 10 para a compra de bolas e redes. Mas, é imprescindível que o jovem seja frequente e tenha bom aproveitamento escolar. É bom ficar sabendo que os dados são passados diretamente das escolas ao treinador Santana — “a melhor herança para uma criança é a educação”, emociona-se.

O consumo e o lazer

As alternativas no Shopping Del Rey giram em torno de R$ 79 a R$ 90. Para os carentes, as opções, às vezes, são quase inacessíveis. Felipe dos Santos Fernandes, 18, estudante e morador do Caiçara, admite que a melhor escolha é a quadra de futebol, na Praça da Rosinha, na rua Rosinha Sigaud. Felipe, que vai diariamente se encontrar e jogar pelada com os amigos, diz que é grande o movimento de crianças e adolescentes, principalmente à noite. Lanchar com a turma na praça de alimentação do Del Rey também é uma opção, se sobra alguma grana — é que os lanches podem variar de R$ 15 a R$ 25!

Fernando Medeiros, psicólogo, confirma a falta de opções de lazer para o filho de 12 anos. Por isso, a opção é sair da rotina. “Levo meu filho e os amigos na Serra do Cipó, para andar de bicicleta e também jogar bola na pracinha”. Já para os menores João André Alves Santos, Gabriel Rabelo Couto e Emerson Lima, estudantes do 5º ano da escola Dimensão, é unanime a escolha pelas reuniões em casa dos amigos, onde costumam estudar, jogar futebol ou vídeo game.

Joseanne Santos e a amiga Priscila Gonçalves, 16, moradoras do Santo André, optam por um cinema, ou até mesmo se reunir com amigos em casa. Para elas, as garotas da região sofrem ainda mais que os meninos. “São poucas as opções; às vezes, decidimos ir a um shopping diferente, mas o Del Rey costuma ser o de mais frequência”, disse Joseanne, que costuma fazer um “cinema em casa” quando está sem dinheiro. O preço do cinema na região noroeste varia de R$ 9 a R$ 24, dependendo dos dias da semana, horários, e salas 3D.


Marcos Vinicius de Freitas Silva, de 13 anos, e Cleber Eduardo Meirelles, 14, alunos do 7º ano, moram na Nova Esperança e participam do projeto Atleta Cidadão. Eles fazem do futebol seu passatempo principal. Além do futebol, costumam ir algumas vezes ao inevitável Shopping Del Rey quando o parque de diversões Play City passa uma temporada por lá. Outra opção é o Boliche. Mas, aí, só quando recebem mesada dos pais. O Boliche se diferencia pelos dias da semana e horário, mas fica em torno de R$ 48,60 a R$79,20/hora. O bom é que dá pra fazer uma vaquinha: a pista pode ser dividida em até seis jogadores.

Fotos: Rafael Martins