segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quem tem o poder de julgar?

Quem pode ser jurado e quais são os critérios necessários para exercer essa função nos tribunais brasileiros?

por Camila Chagas (4º Período), para a edição 54 do Jornal Lince

É bem possível que os brasileiros estejam mais acostumados à visão de um júri popular com o que veem na televisão. Afinal, seriados e filmes em que as ações transcorrem em tribunais são frequentes na programação. No entanto, no Brasil, os júris têm papel importante para o bom desempenho da Justiça, sem que muita gente sequer saiba com se escolhe um jurado.
Em última instância, o júri popular é responsável para decidir o futuro de um indivíduo que atentou contra sua comunidade. Julgar alguém pelo o que fez sem estar presente naquele momento.  Os jurados representam a sociedade em crimes dolosos, de origens diversas — homicídios, abortos ou induzimento ao suicídio. Cabe ao juíz, somente aplicar à pena.

Foto: Vagner Antônio /TJMG

Requisitos

Para ser um jurado, qualquer pessoa pode se inscrever na comarca do seu Município. Para isso, o indivíduo precisa ser maior de idade, morar na cidade e ter bons antecedentes. Após as inscrições, o juiz, ao seu próprio critério, seleciona os candidatos. Mas também, há indicações de sindicatos e repartições públicas.

A cada julgamento são selecionados 25 candidatos. Antes de cada sessão, dentre os 25, são sorteados os sete que constituirão o conselho de sentença do Tribunal. O Ministério Público e a defesa, no momento da escolha dos jurados, podem fazer até três recusas imotivadas, e aproveitam para selecionar pessoas com o perfil que entendam ser o mais adequado para o caso. “Em caso de homicídio em que a vítima foi previamente estuprada, por exemplo, a defesa tentará afastar do corpo de jurados as mulheres”, explica Dayse Mara Silveira, Juíza Titular da 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude de Ponte Nova.

Os jurados escolhidos não recebem nenhuma remuneração. Mas é assegurado ao convocado, confinamento especial até o julgamento final, não podendo haver nenhum desconto no salário pelo período da sessão. Na possibilidade de o jurado ser preso, terá direito a prisão especial. Em caso de ausência e falta de justificativa, poderá pagar multa de um a dez salários mínimos.

Crimes

Não há diferença entre os tipos de crimes para seleção dos jurados. O juiz avalia se o candidato é bem instruído; quanto maior o grau de escolaridade, melhor será o entendimento das questões que serão levantadas no Tribunal de Justiça. Lembrando que não é preciso ter conhecimentos prévios de Direito.

Inúmeras pessoas se inscrevem pela curiosidade de saber como é um julgamento, principalmente pelos benefícios que a própria lei estabelece. Geisiane Oliveira, analista de ensino, foi convocada para ser jurada em três julgamentos diferentes. ”Quando recebi a intimação fiquei desesperada. Como vou julgar a vida de alguém se eu não estava presente quando ocorreu o crime?”. No dia do julgamento, a partir do momento que os jurados entram no Tribunal de Justiça, estão proibidos de se comunicar entre si, ou com amigos e familiares. O celular é desligado e o almoço é servido no próprio Fórum.

Liberdade

Para o advogado e professor de direito penal, do Centro Universitário Newton Paiva, Cristian Kiefer, o Tribunal no que pesa aos jurados, é “muito mais emoção que razão”.

— Estão em jogo os dois maiores bens do ser humano: a vida e a liberdade.

Entretanto, para aqueles que serão jurados pela primeira vez, é uma mistura de sensações. Ansiedade, insegurança e vulnerabilidade. “Me senti mal durante todo o julgamento; como uma pessoa livre pode deixar que outras pessoas decidam o rumo de sua vida?” — questiona Geisiane.

O transcorrer de um julgamento se dá em um clima de muita emoção. Quase sempre, júri fica cara a cara com o réu e a família da vítima. Esta, indignada, na expectativa que a justiça seja cumprida. Por outro lado, os parentes do acusado também ficam à espera que a pena seja a menor possível. “Quando recebi a intimação fiquei com medo, porque não sabia o que a família do preso seria capaz de fazer”, pondera a analista de ensino.

Decepção

Para o estudante M. S. S., 23, que afirma “adorar julgamentos”, as sessões de tribunal a que compareceu até agora (uma delas, no caso do goleiro Bruno) foram decepcionantes. Acostumado a ver julgamentos em “filmes de tribunal”, seus favoritos, ele se diz impressionado com o “número de falcatruas dos advogados de defesa”.

— É a maior avacalhação; eles não têm o menor respeito pelo juiz, criam a maior confusão, atrapalham tudo. Tem muita burocracia também, não é a mesma emoção que a gente vê no cinema.

Foi por isso que M. “desistiu de ser jurado” e está repensando se vai continuar no curso de direito. “Se continuar, quero ser promotor; advogado de defesa, nunca”.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre ‘O Cruzeiro’ (1940 – 1960)

O Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, recebe entre os dias 11 e 17 de Setembro o evento "As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre ‘O Cruzeiro’ (1940 – 1960)".
Foto: Divulgação
A exposição reúne imagens e matérias da principal revista ilustrada brasileira do século XX. A mostra retrata a relação entre as imagens produzidas pelos fotógrafos e as fotorreportagens, com o foco no período de maior atividade da revista: as décadas de 1940 e 1950.
Realizada pelo Instituto Moreira Salles e a Fundação Clóvis Salgado, a exposição tem curadoria da professora e curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP, Helouise Costa, e de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do instituto Moreira Salles.

EVENTO

As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre ‘O Cruzeiro’ (1940 – 1960)

DATA

De 11 de setembro, quarta a 17 de novembro, domingo

HORÁRIO

Terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h

LOCAL

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA

Livre

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO

Balcão de Informações: (31) 3236-7400 / Programa Educativo em Artes Visuais: (31) 3236-7471
mais informações em mg.gov.br

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Bebida de luxo

Mercado das cervejas artesanais cresce cerca de 20% ao ano, atraindo cada vez mais novos admiradores.

Armando Giaquinto (3º Período), para a edição 54 do Jornal Lince.



A cerveja é a segunda bebida mais consumida no mundo, e está presente em nossas vidas desde a antiguidade. Os primeiros registros de sua existência situam-se na Mesopotâmia, antiga Suméria, por volta de quatro mil antes de Cristo. A primeira regulamentação do comércio de cerveja ocorreu em torno de 1.750 A.C, e, mais tarde, acrescentou-se à sua composição o lúpulo, ingrediente que a tornou uma bebida nos padrões atuais de consumo.
A famosa loura gelada é um produto de longa tradição também no Brasil. Porém, sua ascensão foi vagarosa, pois no início do século XIX, o vinho e a cachaça eram preferidos pela população. Mesmo assim, nessa época, a cerveja já era comercializada, apesar de que seu consumo ainda não era generalizado. Com o passar do tempo, a demanda aumentou e, em 1836, surgiu a primeira notícia de sua fabricação no Brasil, e desde então, tornou-se paixão nacional.

Qualidade Especial

Atualmente, existem várias microcervejarias espalhadas em nosso país, e uma das mais reconhecidas e refinadas está localizada em Minas Gerais. Fundada em 2004, a Falke Bier é uma cervejaria familiar, que tem como objetivo produzir cervejas artesanais com qualidade, história e personalidade. A empresa nasceu da iniciativa dos irmãos Marco Antonio, Juliana e Ronaldo Falcone, que abandonaram suas atividades e investiram em um projeto que buscava qualidade de vida. “O nosso objetivo era produzir a cerveja de maneira que ela se tornasse uma paixão, e não somente um produto”, ressalta Marco Falcone.

A Falke Bier possui cervejas mais do que especiais. A Monasterium e a Vivre pour Vivre, bebidas da marca, são famosas não só pelo sabor, mas também pela maneira de preparo. A Monasterium, por exemplo, é vencedora do prêmio Award 2008 como produto inovador, e leva até seis meses para ficar pronta. “O processo é bem meticuloso. Ela é refermentada na garrada e maturada em uma adega subterrânea climatizada, acústica e ao som do canto gregoriano”, explica Falcone.

Já a Vivre pour Vivre, é feita com uma fruta brasileira, a jabuticaba. Marco Falcone afirma que ela é a única cerveja no mundo que leva três anos para chegar à mesa do consumidor. Por isso, são produzidas apenas 600 garrafas por ano. “Eu queria fazer uma cerveja com a cara do Brasil, e ao mesmo tempo inédita. Então, utilizei a jabuticaba como ingrediente. Ficou fantástico!”, afirma.

Saudável e saborosa

Wellington Rodrigues, 43, biólogo, é um grande admirador da cerveja Falke, e sempre que pode, vai com os amigos degustar a bebida que, segundo ele, é especial. “Ela é diferenciada. Resgata valores, sabores e aromas que não são encontrados em outras marcas, devido ao processo de industrialização das mesmas. Por sua fabricação ser à base de produtos naturais e sem a adição de conservantes, a Falke produz cervejas especiais e saudáveis, ricas em vitaminas do complexo B”, relata Wellington.

Mas, Fabrício Mendes, 25, universitário, reclama dos preços das bebidas da marca, que, segundo ele, podem chegar a incríveis R$ 200 por garrafa. “Eu adoro beber as cervejas da Falke, mas, infelizmente, não é sempre que posso comprar, pois, por serem artesanais e terem um processo especial de preparação, o preço acaba aumentando”, lamenta o rapaz.

Artesanal vs Industrializada

Segundo Falcone, o lema “beber menos, mas beber melhor”, traduz intensamente a diferença entre as bebidas. Ele afirma que a cerveja artesanal não está ligada somente ao fato de beber, mas também ao gourmet. “A qualidade é bem maior, e quem busca degustar uma cerveja especial não quer ficar bêbado, mas sim sentir seu verdadeiro sabor e também a qualidade diferenciada”, diz.

De fato, as cervejas artesanais possuem um valor de comercialização mais alto do que as industriais, mas, para Marco Falcone, isso não é nenhum obstáculo. “O fato de ser mais caro acaba gerando certo desconforto em algumas pessoas, mas quem bebe uma cerveja especial, estará consumindo um produto de altíssima qualidade e também muito mais saboroso”, afirma.

A jornalista Emiliana Bicalho ganhou de presente uma garrafa da Falke e afirma que gostou, mas não abre mão das industrializadas. “Gosto da pilsen, que não é tão encorpada, mas acho que, no inverno dá pra variar beber outro tipo de cerveja, variar, porque não é todo mundo que gosta de vinho”. Certamente, seja ela artesanal ou industrializada, conhecida como lourinha, gelada, breja, cerva ou tchela, a cerveja sempre terá lugar especial no paladar dos brasileiros.

Fotos: Armando Giaquinto

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Universo cibertrônico

Celulares, games, notebooks entre outros eletrônicos são cada vez mais objetos de desejo no mundo contemporâneo

Sueli Azevedo (3º período), para a edição 54 do Jornal Lince.



Os dispositivos eletrônicos estão sempre em ritmo de atualização acompanhando a modernidade do mundo. Mas, será que toda esta correria tecnológica das grandes empresas e marcas se reflete de alguma forma na sociedade? Sim, principalmente no bolso de seus seguidores. Acompanhar o compasso dos eletrônicos é uma tarefa difícil e cara, pois, a cada atualização do seu dispositivo, ele vem mais caro.

Os geeks, pessoas conhecidas por serem obcecadas por tecnologia e eletrônicos, são os que estão sempre a par do que há de novo neste imenso mundo cibernético. Leandro Alves, 28 anos, é um geek assumido e se considera um viciado em tecnologia — “gosto de estar por dentro de tudo que é novo e tecnológico”. Ele conta como são suas reações cada vez que fica sabendo que será lançado um novo equipamento eletrônico: “Fico muito empolgado e ansioso”, diz. 

Leandro, porém, faz uma ressalva quando se trata apenas de uma atualização do software do aparelho. “Não costumo trocá-los, pois com toda a tecnologia e as facilidades existentes é só atualizar o software do aparelho e assim ter o mesmo sempre atual”. Mas, pra variar, se o design do aparelho novo for muito superior ao do que já possui, Leandro admite que não resiste.

BRINQUEDOS CAROS

Leandro não sabe ao certo o quanto já gastou, mas é uma conta que fica por volta dos R$ 12 mil. O segredo, diz ele, é sempre manter a calma “para não fazer nenhuma loucura”. Ele tem como seus brinquedos tecnológicos um Iphone 4s 64 GB,  um IPod 16 GB, um Xbox com kinet, uma Tv LCD 42 polegadas, um IPad e um notebook HP Core i7 8 GB RAM  1,5TB HD. Seu atual objeto de desejo é uma câmera Sony Cibershot, à prova d’água, que custa em torno de R$ 1.200.

Desejo e consumismo estão interligados neste caminho para a modernidade e por este motivo é bom ter cautela na hora da aquisição do seu novo dispositivo. O preço pode variar muito, dependendo não só da marca, mas também da loja. O preço do queridinho celular da Apple, o Iphone 5, por exemplo, pode variar de R$ 1.200 a R$ 3 mil.

A tecnologia é muito válida hoje principalmente se necessitamos obter informações mais rapidamente. Da mesma forma, pode nos ajudar a realizar trabalhos antes um pouco mais complicados. Leandro usa a tecnologia para estudar e trabalhar, e quando precisa de uma mãosinha no trânsito, usa o GPS do seu Iphone para lhe indicar um atalho.

O geek também diz que a tecnologia de hoje no Brasil não é das melhores, se comparada a países mais avançadas. “E ainda é muito cara e lenta, mas ainda assim, tem feito grandes melhorias para a vida das pessoas”, afirma Leandro, lamentando que, infelizmente há pessoas “que se utilizam desse meio para prejudicar e lesar outras com mais facilidade que antes, utilizando de dados pessoais, imagens entre outras”.

O OUTRO LADO DA MOEDA

Mesmo com toda a ajuda e melhorias que estes eletrônicos trazem à vida das pessoas, nem todos reverenciam a tecnologia. Michele Aguiar, 25 anos, diz que esta do lado da resistência a toda esta tecnologia: “Acho toda esta parafernália uma complicação para aprender a mexer, não tenho a menor paciência, ainda mais com estes aparelhos cada vez menores, mais finos e mais complicados”, ataca.

Dificuldade em lidar com os novos aparelhos eletrônicos e seus aplicativos, é uma das maiores reclamações quando se trata de resistência a eles. Michele é vendedora de roupas e diz que o único aplicativo que ela usa em seu celular é a calculadora. “Tenho preguiça de todos estes aplicativos; meu celular é dos antigos ainda e com teclado normal”, comenta. Michele já ganhou um com tela touchscreen, que não durou nem quatro meses. “Achei uma chatice aquelas frescuras todas”, detona.

Michele afirma que, apesar de parecer, não é nenhuma “tecnófoba”. Diz que deixa claro que é a favor do avanço da tecnologia para o desenvolvimento de novas descobertas, “mas no campo da saúde, por exemplo”, ressalva. Mas é bom ir se preparando, seja nos aparelhos eletrônicos, no transporte ou na saúde, o mundo esta em pleno desenvolvimento tecnológico e a tendência é irreversível. Conviver neste universo cibernético será uma realização para alguns e um aprendizado para outros.


Fotos: Sueli Azevedo

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Crônicas do ônibus: de A a Z

Por Bruno Menezes, (8º Período), para a edição 54 do Jornal Lince.


Acordei atrasado. Maldito seja o individuo que inventou a função soneca para celular. Sempre me faz atrasar. Em tese, chego ao estágio todos os dias às 8h. Para isso, eu teria que pegar o ônibus das 7h05, mas hoje não teve jeito, só consegui o das 7h25. O trânsito é intenso durante todas as manhãs em Belo Horizonte. Essa, em especial era pior – manhã de sexta-feira é sempre complicada. Não há um dia em que meu ônibus não pegue um engarrafamento na Avenida Pedro II. E a gente sempre fica pensando – Imagina na copa!

Passando pela área central da cidade, já na Avenida Augusto de Lima, próximo ao edifício Maletta, um senhor de sapatos engraxados, cabelos brancos, camisa polo amarela e um envelope na mão entra no ônibus. Ele senta-se na parte da frente, próximo ao trocador. Parece que ele pega o mesmo ônibus todos os dias, afinal o motorista assim que o viu já gritou: grande seu Agenor!

71 anos, 5 meses e 10 dias, assim o seu Agenor orgulhava-se em dizer sua idade. Em conversa com o motorista do ônibus da linha 64, ele se gabava de seus feitos. Pai de quatro filhos e casado há 46 anos, seu Agenor esbanja vitalidade e acredita que casar é a melhor coisa do mundo. “Eu me casei em 1967, até hoje estou com a mesma mulher. Casar é bom demais, difícil é continuar casado”, disse ele já aos risos.

Eu tentava ouvir a conversa dos dois, mas sempre de olho no relógio. A previsão era de que eu chegaria 30 minutos atrasado no estágio, isso sendo otimista. Entretanto, eu estava atento à boa história de seu Agenor.

– Trabalho em uma construtora que fica ali na Gonçalves Dias com Olegário Maciel. Passaremos perto dela, você vai ver. Comecei a trabalhar lá tem pouco tempo, comentou.
– Ah é? Tem pouco tempo? Perguntou o motorista.
– Tem sim, são só 49 anos. Trabalho lá desde o dia 1º de fevereiro de 1964 – Mais uma vez ele terminou sua frase aos risos.

O motorista ficou impressionado com a lucidez de seu Agenor e a vontade de ainda fazer questão de exercer uma profissão. Um verdadeiro apaixonado pelo que faz, eu diria. Tanto que ele contou, orgulhosamente, que a empresa em que ele trabalha, construiu a primeira trincheira na Pampulha.

Na mesma sexta-feira e na mesma linha de ônibus, porém na ida para casa, conheci Zuleide, a piriguete da favela Sumaré. De chinelo roxo, shortinho apertado e uma blusa que deixava a mostra seu piercing no umbigo, a morena entrou no ônibus. Estava acompanhada de mais duas pessoas, um homem e uma mulher. Já passava das 15h e o calor naquela tarde estava insuportável.

O trio entrou no ônibus gritando que não iria pagar a passagem. Eles pulariam a roleta da forma que eles mesmo descreveram: “na cara dura”. Zuleide liderando o grupo, perguntou aos companheiros se ela teria que ser a primeira a pular. Os olhos assustados dos outros passageiros se sobressaltaram, todos ficaram apreensivos fitando a moça. Felizmente tudo não passou de uma brincadeira. Ela tirou o cartão do banco e o cartão Bhbus da bolsa e ainda brincou com a trocadora “vocês não aceitam cartão de crédito?”.

Assim o gelo foi quebrado, o clima melhorou e tranquilamente eles passarem pela roleta.
Felizmente só para a trocadora, não bastasse o ônibus estar cheio eles ficaram parados nos degraus da porta do meio, atrapalhando o desembarque dos passageiros. Meu ponto estava se aproximando, me posicionei perto da porta, atrás do trio, na esperança que eles desconfiassem da minha intenção de descer. Incomodado, o rapaz começou a falar:

- Deixa eu sair daqui né!? Esse cara aqui atrás de mim não tá dando certo.

Zuleide, a grande figura da favela Sumaré, não podia perder essa:

- Nossa, eu adoro! Se ele quiser ficar atrás de mim pode.

- Olha ai! Viu o que ela falou para você? – Disse o rapaz dirigindo-se a mim.

Dei um sorriso e acenei com a cabeça que sim.

Meu ponto chegou, hora de descer. Com dificuldade, fui passando pelos obstáculos, ou melhor, por eles. Já com meus pés na rua, Zuleide gritou de dentro do ônibus: “Ô moço! Eu tava brincando, viu?!” Deu uma gargalhada e completou. “Mas se quiser levar a brincadeira a sério, também pode!”.

Não aguentei segurar a risada e mandei um tchau para ela enquanto o ônibus partia. Definitivamente o transporte coletivo é uma fonte de boas histórias e grande figuras que mereciam ser estudadas. Do seu Agenor a Zuleide. De A a Z. Depois disso? Fui para o bar, ora essa. Era sexta-feira e também sou filho de Deus.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Em busca da batida perfeita

Mesmo quando fica à margem do mercado, a música independente cria várias vertentes dentro da atual cultura brasileira 

Por Rayza Kamke (3º Período), para a edição 54 do Jornal Lince.

Os primeiros registros da musica independente são datados na década de 1950, quando pequenas gravadoras nasciam nos Estados Unidos. A cultura libertária teve ênfase nos anos de 1960 e 1970, quando o movimento punk deu notoriedade e disseminou culturalmente, não só a música, mas toda uma forma de se comportar e de viver. Desde então, a cultura do independente vem crescendo e tomando espaço, inclusive no Brasil.

Mas, o que é musica independente? Como definição básica, entende-se que musica independente é aquela que não está vinculada a grandes gravadoras, quando o interprete tenha controle sobre a elaboração e realização do trabalho em todas as suas etapas. Pouca gente tem conhecimento da verdadeira realidade do trabalho árduo praticado pelo artista, que na maioria das vezes, é movido só pela paixão, resistindo às dificuldades existentes.



INCENTIVOS

Mesmo com o crescimento, o artista independente ainda sofre com a falta de incentivo e estrutura. Em Minas, os mais procurados atualmente são Vander Lee, Laiza Morais, Cobra Coral, Sérgio Pererê... “São alguns dos mais pedidos; é imensa a variedade de nomes que se sobressaem hoje, incluindo a moda de viola, que também é sempre procurada por aqui”, conta Carlos Andrade, da loja Discoplay, que trabalha no ramo musical há 17 anos, e diz ter acompanhado grandes artistas mineiros que nasceram do independente e crescerem internacionalmente.

Carlos diz ainda que é constante a chegada de novos artistas para batalhar entre o meio, mas reconhece que o que falta de ajuda chega a ser desestimulante.

— Faltam incentivos; o artista tem todo o trabalho, desde a produção até comercialização. Ele grava, trabalha na arte, traz os CDs debaixo do braço para distribuição, e muitas vezes não recebe o reconhecimento que merece.

Carlos explica que, na maioria das vezes, o próprio artista, ou o produtor, trazem o trabalho até a loja, que é comprado por remessa pelo distribuidor. Se o trabalho for bem recebido, entram em contato e solicitam mais para a comercialização.
DIFICULDADES

 Dentro do contexto independente, os artistas se deparam com grandes dificuldades para mostrar ao publico o seu trabalho. No Brasil, foi criada a Lei do Incentivo a Cultura, instrumento de apoio às iniciativas culturais. O projeto consiste em permitir que as contribuições de pessoas jurídicas aos projetos culturais sejam deduzidas do imposto estadual devido pelas empresas. Mecanismo esse, que se torna falho e mantém um desequilíbrio contínuo por não conseguir atender a uma grande parte dos artistas.

Elianne Noronha, empresária da banda feminina Tamba Tajá, criada em 1998, conta sobre a sua preocupação com o direcionamento da música independente dentro do cenário brasileiro. “Nosso trabalho não é divulgado em rádios; elas só os das grandes gravadoras. As bandas independentes conseguem aprovar projetos nas Leis de Incentivo, mas a grande maioria destes projetos não se concretiza pela falta de apoio do empresariado. Então, às vezes, me pergunto: até onde o gostar, o prazer, e a alegria de levar musica boa às pessoas vai nos motivar?”. Apesar dos pesares, mesmo remando contra a maré, a banda já gravou dois CDs independentes patrocinados pela Lei do Incentivo.

“É MÁGICO”

Diante das dificuldades encontradas, o preconceito, a desvalorização e a baixa remuneração diminuem os espaços para apresentações, o que também leva ao término de bandas, ou a perda de integrantes, que deixam os grupos em busca de outras oportunidades. Com a ascensão do hip hop nacional, o cantor mineiro Pedro Vuks, lançou seu primeiro CD em 2011, mas afirma sofrer diante do meio fonográfico por morar em Belo Horizonte. Vuks conta que já mandou seu material para divulgação de trabalho para vários sites e não obteve resposta. “Só que eu não ligo; sempre busco ter um plano B”, afirma.

Segundo Vuks, é um pouco complicado ter que trabalhar sozinho. A gravação, arte da capa, vendas, fechamento de shows, e envios do material para todo o Brasil são feitos por conta própria. “É um trabalho integral”, teoriza.

Apesar de todo o peso do trabalho, a recompensa chega junto com o reconhecimento. Vuks confessa que ainda fica surpreso e até encara como novidade quando vê alguém do meio em uma grande mídia, ou com uma música muito boa.

— Só Deus e nossas famílias sabem o que passamos pra chegar a esse momento. É mágico ver que estamos sendo valorizados; eu gosto disso. Não vejo como moda. É progresso mesmo.

CONECTADOS

 A inserção da música independente dentro do mercado atual segue um parâmetro de crescimento junto com a tecnologia da comunicação. A banda paulista de rock Emmercia foi criada em 2011 e cresce nacionalmente com a ajuda da internet e das redes sociais. Sérgio Kamada, tecladista da banda, que mistura efeitos eletrônicos com rock pesado, admite que é uma responsabilidade muito grande movimentar os próprios projetos, mas a liberdade para o marketing da banda proporciona facilidade para interagir com os fãs. “A tecnologia favorece a independência musical; creio que 80% das pessoas que seguem a banda vieram pelas redes sociais — por enquanto, as principais que usamos são o soundcloud, facebook e youtube! Pretendemos expandir ainda mais nas redes”, disse.

A tecnologia também ajuda aos artistas para a produção do trabalho. Com a criação de programas que não precisam ser manuseados por profissionais da Área. “A produção de parte das músicas que lançamos foi feita por mim. Produção caseira. Graças a lançamentos de equipamentos profissionais que servem para Home Studio. Tudo com baixo custo! Glória!”, brinca Kamada. Mesmo assim, a banda mantém o foco de lançar um CD gravado em estúdio, tornando o material menos caseiro e mais profissional.

Com a facilidade de produzir, gravar e disponibilizar o trabalho, o mercado musical se tornou repleto de variedades de bandas e sons. Com o avanço tecnológico, também ficou mais fácil descobrir e acompanhar bandas alternativas para quem curte cada gênero. Hoje é mais fácil encontrar páginas diversas e espaços exclusivos sobre o assunto. Cinthia Xavier, 19, conta que há muito tempo utiliza fontes disponíveis para conhecer a música independente, de que não abre mão. “Eu e algumas amigas sempre tivemos o hábito de procurar por músicas ou bandas que não são famosas, porque algumas marcaram minha vida”, conta. Segundo Cinthia, a qualidade e a criatividade de algumas bandas são incríveis. “Acompanhei o término de algumas bandas de que gostava muito, por falta de chances e desvalorização. É uma pena”.

sábado, 29 de junho de 2013

“O politicamente correto é o alimento do preconceito”

Mas os humoristas têm que conviver com isso em seu dia a dia: o humor deve ou não ter limites (ou seria censura?) impostos pela sociedade?


Por Felipe Freitas (3° período), para a edição 54 do Jornal Lince.

“Eu como ela e o bebê”. Uma piada que para muitos foi de mau gosto, fez com que o humorista Rafinha Bastos fosse afastado do programa da Rede Bandeirantes, o CQC, e, logo depois, demitido. Ele ainda teve a dor de cabeça de responder a um processo pela “brincadeira”.  Esse é uma advertência aos comediantes, para que tenham mais cuidado com as piadas que contam. A situação traz varias questões à tona: O humor tem limites? E, se tem, quais são? A sociedade mudou ou as piadas ficaram mais maliciosas?

“Eu faço humor de cara limpa. É simples. Quando subo no palco, eu sou o Rafinha Bastos. Se faço uma piada de estupro, as pessoas tomam isso como a minha opinião. Porque eu não sou o bêbado Zé ou o caipira Nerso (referência à personagem Nerso da Capitinga, do comediante), às vezes, fica difícil do público entender que aquela não seria a minha opinião”, disse Rafinha Bastos em entrevista à apresentadora Marília Gabriela.


Mario Alaska, humorista.
(Foto: Arquivo pessoal)

O LIMITE

O caso de Rafinha nos abre uma questão. Será que o humor tem limite? E qual seria ele? Para o humorista Leonardo Núñez, 33, mais conhecido no meio como “Gigante Léo”, o humor tem que ter um limite. “Sou radicalmente contra a imposição de qualquer tipo de censura ao humor ou qualquer expressão artística, mas o limite se dá naturalmente, através da relação do humorista com o seu público”, expõe Léo.

Outro que também partilha da mesma opinião de Léo é o comediante Glauber Cunha, 38, do grupo Os Comédia, que prefere não abordar alguns assuntos.  “No meu estilo de humor, o limite é navegar por assuntos que não sejam tão polêmicos ao ponto de 90% do público ficar chocado com a piada. Tem tanta coisa para brincar... Para que eu vou me arriscar?”, provoca Cunha.

Mario Alaska é comediante e locutor da rádio 98FM. No programa 98 Futebol Clube, faz alguns personagens. Um deles, uma imitação ao repórter Roberto Abras, da Rádio Itatiaia.  Ele opina que o humorista deve usar o bom senso ou o senso comum, e define o caminho como uma trilha perigosa. O comediante vive um desafio a cada piada dita.

— Caminhamos sobre o fio da navalha. Em certos casos, podemos acertar em cheio, mas também podemos errar muito. Acredito que com o tempo e a prática você vai se encontrando.

Para o comediante e improvisador Allan Benatti, 36, o humor não tem limites. “O que tem limite é o pudor e o preconceito do mundo atual”, completa Bennatti. Já o ator Eraldo Fontiny, 30, acredita que o humor deve ter bom senso. “O humor não dá o direito de banalizar e humilhar alguém”, afirma.

Mas, Carol Zoccoli, 36, humorista, lembra que a essência do humor é reconhecer o que não faz sentido e fazer as pessoas rirem disso. “Quando alguém se sente agredido por uma piada, essa pessoa não compreendeu a intenção do humorista ou o humorista teve a intenção de agredir (o que é muito diferente da intenção de fazer rir a partir de um tema considerado muito sério). O que agride é a intenção e não as palavras”.

SIGNO DE LIBRAS

Não é privilégio de Rafinha Bastos fazer com que alguma pessoa se sinta ofendida com uma piada.  João Basílio, 40, humorista e professor universitário de comunicação, também teve problemas com pessoas que não entenderam uma piada sua.

— Em uma ocasião, ao fim de setembro, fiz no Facebook o seguinte comentário: ‘Hoje, 26 de setembro, é o dia dos surdos. Faz sentido o dia dos surdos ser do signo de Libras’. A brincadeira, para quem não entendeu, é com o termo ‘Libras’, que é a linguagem de sinais usada pelos surdos.

Uma simples piada fez com que alguém se revoltasse com a brincadeira. ”Por incrível que pareça, uma pessoa veio me atacar, dizendo que era uma falta de respeito, um absurdo e que iria me processar. Fiquei chocado, porque a frase não tem nada de ofensivo! Isso é uma demonstração de como é difícil — senão impossível — agradar a todos”, completa Basílio.

VISÃO CRÍTICA

Bruno Berg, 32, que também é humorista, teve um caso parecido com o de Basílio. “Já fiz uma piada sobre cães onde eu falava sobre o fato de eles se reproduzirem com seus próprios parentes. Criou o maior alvoroço, porque alguém achou que eu estava incentivando maltratar os animais”, conta. “Hoje em dia todo mundo tem se ofendido muito facilmente. Se eu faço piada, por exemplo, com vários bairros da cidade, a pessoa morre de rir. Mas se eu falar do bairro dela, ela fala que não pode”.

Mas, e aí? As piadas estão ficando mais maliciosas ou será que o nosso país mudou? Para Edgar Quintanilha, 19, humorista e ator, a sociedade mudou sua concepção de mundo. “Piadas de cunho sexual e com palavras chulas sempre existiram. Porém, com a moda do ‘politicamente correto’ a tolerância por parte de alguns tem diminuído, e daí vêm as críticas”, expõe.

Núñez acha que são as duas coisas. “Toda piada tem algum tipo de malícia ou visão crítica. O que acredito é que as pessoas estão cada vez menos tolerantes com tudo: com o próximo, com as brincadeiras e com as críticas”, diz. Para Alaska, o mundo está ficando chato. “Não se pode brincar com mais nada! Mas, por outro lado, acho que temos que saber a maneira como brincar com certas coisas”, fala.

“TODA PIADA TEM UMA VÍTIMA”

Allan Bennatti afirma que o politicamente correto é torto e o maior alimentador do preconceito. “Mudar o nome de negro ou preto para afro-brasileiro é dizer que é ofensivo chamá-lo de negro ou preto, mas a ofensa não está na situação da cor, e sim na maneira como se fala. Mudemos então de branco para euro-brasileiro”, completa.

Berg sente que as pessoas estão ficando mais “sensíveis”, em relação às piadas. Para ele, isso é um reflexo da liberdade da internet. “Hoje em dia, do mesmo jeito que você consegue expressar sua opinião ou fazer uma piada chegar às pessoas de maneira mais fácil, através da internet, a crítica também chega”, diz. Para ele, está faltando “a muitas pessoas rirem de si mesmas”.

— Acho que a pessoa que não aceita uma piada onde ela é atingida, deveria parar de rir de outras piadas onde se tem uma vítima: toda piada tem uma!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

2ª Ação Social Newton

Por Caíque Rocha e Frederico Vieira.

No dia 29 de Junho, sábado, a Newton realizará no campus Silva Lobo, a 2ª Ação Social Newton. De 9h às 13h a instituição abrirá suas portas para oferecer aos visitantes orientações sobre diversos assuntos, que vão desde aplicações financeiras a dicas automotivas.

Angélica Cotta, coordenadora do curso de Nutrição, disse será oferecido aos participantes orientações sobre uma alimentação saudável, e informações sobre saúde a partir da medição do peso e da altura. “Pensamos até em fazer um jogo educacional com as crianças. É importante que haja interação entre os presentes”, completou.

Os alunos também participarão. De acordo com Tatiana Bedran, coordenadora do curso de Enfermagem, o empenho deles foi grande, sendo que muitos já praticam essas atividades em estágios, dando mais credibilidade e qualidade às atividades.


Na parte jornalística, será desenvolvida uma oficina, onde os estagiários mostrarão como funciona tecnicamente uma rádio. 



Que país é esse?

Mesmo sendo uma nação marcada historicamente por atos de corrupção, hoje, Brasil recusa essa identidade e quer a verdade


Matéria de Rayza Kamke (3º período), publicada na edição 54 do Jornal Lince.

Há quem afirme que a corrupção aportou no Brasil com os portugueses, quando a coroa portuguesa resolveu mandar pra cá os condenados, os ladrões e as prostitutas. A partir daí, ficou fácil justificar todo e qualquer ato de corrupção perpetrado no país. Nas pequenas falcatruas do dia a dia — furar fila, surrupiar pequenos objetos, pagar propina —, a corrupção parece que veio para ficar. É endêmica entre nós.

O certo é que a corrupção no Brasil afeta diretamente o bem estar de todos os cidadãos, quando diminui os investimentos públicos nas diversas áreas de direitos essenciais à vida. Na saúde, na educação ou na segurança, os escândalos na política, talvez a face mais dura da corrupção, deixaram de ser novidade para a população.

“Um dos principais problemas que dificultam o combate à corrupção é a impunidade ainda vigente no país”, avalia o bancário Alan Flaviano dos Santos, 26. Em sua opinião, “a justiça é morosa, e aqueles que desviam milhões e podem pagar bons advogados dificilmente passam muito tempo em cadeia, ou nem mesmo são punidos”.

ENDÊMICA

A corrupção hoje é tratada quase como um problema endêmico. Endemia essa que veio da formação da cultura crescente da nova nação, desde o império. Entre uma corte e uma igreja que se compactuavam, acabou por se criar uma cultura formada em torno de privilégios e vantagens. “E o pior é que se trata de uma cultura que até hoje se reflete em nossa realidade, e no nosso dia a dia”, afirma a professora Ana Lúcia Verçosa, bacharel em História.

No entanto, Ana Lúcia acha que é errado generalizar. Ela afirma que ninguém deve acreditar que a corrupção é algo que se impôs sobre a sociedade brasileira. “Há bolsões de corrupção, principalmente nas elites; apesar de termos a constatação de que a corrupção é muito forte em nosso país, talvez estejamos em um momento em que mais se combate a corrupção do Brasil”, afirma a professora.

REPÚDIO

“Apesar de tratada como um problema crescente no país, podemos analisar que talvez hoje as pessoas vejam a corrupção muito mais exposta, o que é um fator positivo para a sociedade”, explica Ana Lúcia. O deputado estadual e jornalista João Vitor Xavier diz que “não devemos nos iludir: havia atos corruptos há 40, 50 ou 80 anos; talvez acontecessem coisas piores”.

— Não acho que a corrupção hoje seja pior do que no passado, eu acho que hoje ela é mais “mostrada” do que foi no passado; e este é o caminho para combatê-la. Eu prefiro pensar que a corrupção fez parte da cultura brasileira, e cada vez menos as pessoas a toleram. Segundo o deputado, cada vez mais a sociedade se rebela contra a corrupção. “Se cultura é aquilo que é cultivado, então se muda a cultura”, propõe. Xavier afirma sentir que o Brasil está mudando essa cultura.

— Sinto o Brasil fazendo um movimento muito forte de repúdio a essa cultura; acho que a corrupção faz parte apenas de uma parcela de brasileiros, mas que é cada vez maior a parcela que está contra seus atos.

De acordo com o deputado, o Ministério Público, os órgãos de comunicação e as casas parlamentares, por mais que não sejam reconhecidos, têm uma ação muito forte contra a corrupção. “Eu vejo o Brasil passar por um momento como nunca na história do país, no que diz respeito ao combate à corrupção”, afirma. Mas, apesar de toda a movimentação e manifestação da sociedade, o problema está longe de uma solução. Para se ter uma política menos corrupta, é necessário investir em uma sociedade menos corrupta, o que engloba uma parcela da grande maioria de brasileiros que se deixam levar por pequenos atos de corrupção no cotidiano. “A primeira coisa que tem que fazer é acabar com a imunidade parlamentar”, propõe Fausto Medina da Silva, 22, estudante de informática, para quem as leis brasileiras são muito desiguais.

— Por exemplo, eles ficam por aí condenando a impunidade dos menores de 18 anos, mas ninguém condena a impunidade dos políticos.

RETRATO

Ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão. Com base neste ditado popular, e, de acordo com uma pesquisa feita pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e o Instituto Vox Populi, parte da população afirma que pequenos atos ilícitos cometidos no dia a dia não são considerados corrupção, mas — pasmem! — legitima defesa. Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto. Segundo a pesquisa, 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser “um pouco erradas, mas não corruptas”. Entre elas, sonegar impostos quando a taxa é cara demais. As informações são da BBC Brasil.

"Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público", cita o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira, que também é coordenador nacional da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", que tem como objetivo conscientizar e incentivar a honestidade para a sociedade.

Por sua vez, o jornalista João Perdigão afirma que o famoso “jeitinho brasileiro” “já calhou de ter um lado positivo, e hoje corre mais para o negativo: o brasileiro prefere não ver o erro mesmo; aqui todo mundo tem, teve ou quer ter um rabo preso com qualquer corrupto, no intuito de levar alguma vantagem financeira. O brasileiro prefere lutar pelo futebol, no máximo pelo seu time, ao contrário dos nossos vizinhos argentinos, que são mais engajados politicamente”.


Mas, de acordo ainda com pesquisa, dados positivos mostram que 84% dos ouvidos afirmaram que, em qualquer situação, existe sempre a chance de a pessoa ser honesta. Especialistas concordam que a corrupção do cotidiano acaba sendo alimentada pela corrupção política.

IDEOLOGIA

A história da corrupção, como um todo, está ligada intimamente com a figura humana. “Independente do pensamento ideológico, você precisa ter um controle estatal para minimizar ao máximo essa ideia de corrupção”, disse Sebastião Helvécio, Vice-Presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais. De acordo com Sebastião Helvécio, todo poder corrompe:

– Eu acredito que qualquer sociedade, em qualquer momento, é preciso ter mecanismos para poder fazer o controle do poder. E quando eu falo controle do poder, é realmente no sentido mais extenso da palavra. De modo que eu diria que mais do que uma figura endêmica, acho que essa questão da corrupção é uma figura própria da natureza humana.


Helvécio ainda afirma que não só o governo, mas a sociedade brasileira tem melhorado ao longo dos anos. E em síntese, que o governo brasileiro tem refletido esse sentimento da sociedade de aprovar regulamentações mais rígidas. “Hoje os órgãos de controle têm melhorado muito essa percepção. Podemos observar pela imprensa, não só os Tribunais de Contas, como a Polícia Federal, a Polícia Civil e todos os órgãos que têm essa missão de fazer o controle, também têm a oportunidade de atuar em tempo real, com ações preventivas. Mas é um grande caminho a percorrer”, declarou.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Jornal Lince - Edição 54

Está no ar a edição 54 do Jornal Lince, produzido pela Central de Produção Jornalística da Newton Paiva, trazendo na capa a repercussão dos protestos em Belo Horizonte. "Verás que um filho teu não foge à luta" é a chamada da capa, que ainda traz matérias sobre a corrupção na cultura brasileira e outras mais.

Leia:


terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações em Belo Horizonte - 17/06/2013

O aluno Rafael Martins (3º Período do curso de Jornalismo e estagiário da Central de Produção Jornalística- Newton) participou na tarde do dia 17 de junho de 2013 - que ficará na história de nosso país - das manifestações que aconteceram em Belo Horizonte. De uma forma bastante efetiva, tirou fotos e fez vários vídeos de tudo que aconteceu durante o percurso, inclusive ouvindo opiniões e sentindo na pele toda a revolta e indignação de nosso povo. 

Confira!




Mais fotos em nosso Facebook: Jornal Lince

Você poderá conferir o trabalho completo, com opiniões e mais fotos, na edição 54 do Jornal Lince, que sairá em breve. Fique ligado em nosso blog.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Campanha do Agasalho CPJ 2013

Neste ano, a Central de Produção Jornalística organizou mais uma "Campanha do Agasalho". Os donativos foram destinados ao Asilo Senhor Bom Jesus.

Confira as fotos do dia da entrega das doações, 07 de junho de 2013.

















Fotos: Ícaro Batista e Lucas Ferreira

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Entrevista: Sueli Azevedo e Ícaro Batista

Olá, amigos! Apresentamos duas entrevistas, com Sueli Azevedo e Ícaro Batista, contando um pouco de suas experiências como estagiários da Central de Produção Jornalística. Confira:


Ícaro também falou sobre sua experiência na Link Comunicação Empresarial:


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lince #53

Já estamos trabalhando na edição 54 do Lince, jornal laboratório produzido pela Central de Produção Jornalística da Newton Paiva. Por enquanto, fique com a edição 53, que traz como capa uma discussão: deve-se ou não reduzir a maioridade penal no Brasil?